Resenha Crítica de Filme: Impacto Profundo

Há muito tempo estou com vontade de postar no blog minha opinião sobre um filme catastrófico, apesar das muitas críticas negativas que recaem sobre esse tipo de produção. No entanto, tenho bons motivos para postar sobre um filme em questão, que, por mais bobinho que possa parecer, é um dos meus favoritos.

O antigo e pouco aclamado  Impacto Profundo (1998), entrou para a lista dos muitos filmes que aguçam a curiosidade do público para tragédias e que apresentam uma possibilidade para o fim da existência da vida humana na Terra. Mas além disso, trouxe à tona pelo menos dois temas polêmicos. E já vou entrar em detalhes. Antes, porém, quero refrescar a memória sobre o enredo da produção, com protagonização de Elijah Wood (Senhor dos Anéis) e Morgan Freeman (Todo Poderoso).


Dois astrônomos, um deles estudante amador, Leo Biederman, descobrem um pequeno intruso no sistema solar. Mas uma tragédia faz com que as informações sejam proteladas por um tempo. Somente um ano depois, uma jornalista que investiga um possível escândalo "romântico" presidencial descobre que existe uma mulher de nome ELE, sobre quem o governo tem guardado segredo. Seria ela uma amente do Presidente? A repórter Jenny vai atrás e descobre que E.L.E não é mulher coisa nenhuma, mas sim uma sigla para Extinction-Level Event, que em português poderia ser traduzido como Evento de Extinção em Massa.

Sob pressão, a jornalista, uma *foca inteligente e que vive só para o trabalho, guarda esse segredo, sem dúvida o maior da história,  com a condição de ter uma posição de destaque durante a coletiva de imprensa, onde o segredo seria revelado para o mundo inteiro. Mas por um tempo o governo americano, o salvador da humanidade, claro, já preparou astronautas americanos e russos para evitar que o planeta seja destruído.

A partir daí, o mundo entra em parafuso e todos, ou ao menos os protagonistas do filme, passam a planejar uma maneira de se salvar desse cometa, que logo logo atingiria a Terra. Os astronautas, no entanto, falham e, ao invés de fragmentar o cometa, apenas o dividem em dois, aumentando as chances de destruição.

Sem mais escolha, a humanidade somente espera pelo desastre. A jornalista tenta driblar seus problemas familiares e mergulha fundo em seu trabalho, ganhando cada vez mais destaque na carreira, e tendo cada vez menos tempo e condições de nutrir uma boa relação com o pai, última pessoa com quem pode contar, e de quem guarda uma mágoa profunda. Nos últimos momentos da existência da Terra, no entanto, muita gente começa a repensar a vida, e tenta reparar os erros. Será muito tarde? Ou será que ainda há uma chance de o mundo se salvar?

Falei anteriormente de dois pontos a respeito dos quais seria interessante discutir. Vamos para eles então. O primeiro é o fato de o ser humano ter uma necessidade instintiva de buscar entretenimento nos desastres. Deixe-me esclarecer melhor. Existem alguns tipos de atrações que chamam muito mais a atenção do público em geral do que quaisquer outras. Alguns deles são nudez, fofoca, sexo e violência. Essa sedução do público por tais temas já foi discutida em um livro bastante estudado nas escolas de Jornalismo chamado O Império do Grotesco (Muniz Sodré). Pois bem, para cativar esse lado instintivo do ser humano, os meios de comunicação estão abusando um pouco em notícias, nos casos dos jornais, e em produções cinematográficas ao explorar em demasia cenas sensuais, com sangue, e catastróficas. Daí o sucesso dos filmes de desastre, a despeito da pobreza no enredo, e todos os pontos negativos, a exemplo do mais recente aclamado 2012.

Outro ponto a ser debatido: a semelhança do desempenho da jornalista do filme com o de outros jornalistas mundo afora. Em tantos momentos já ouvi falar e já li que jornalista de verdade não pode ter vida própria, que existe única e exclusivamente para ser jornalista, que quase me convenci disso. Apesar de esse conceito estar um pouco batido, devido, principalmente, à abrangência da profissão, muitos profissionais, de fato, mergulham inteiramente na profissão e esquecem tudo. Foi o caso, no filme em questão, da repórter Jenny.

O cinema e o jornalismo são estritamente ligados. Por isso, ao mesmo tempo que o jornalismo existe para informar, não se pode jamais esquecer que ele é regido por pessoas, com falhas, com tendência, com opinião própria, e por conta disso tem sempre uma pitada de desinformação, de entretenimento. Com o cinema acontece também o inverso, apesar de ser naturalmente uma fonte de entretenimento, muitas vezes a realidade se mostra, a exemplo de centenas de filmes que retratam fatos reais. O cinema também é muito usado para alertar o público. Seja esse o caso de Impacto Profundo eu não sei, mas que tem muita gente se pelando com a proximidade do fim do ano tem. O negócio é viver bem e esperar para ver o que dá.

*Foca é um termo utilizado por jornalistas para definir repórteres pouco experientes, que recém se formaram ou que fazem estágio.

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