Resenha Crítica de Filme: Um Olhar do Paraíso

Existem filmes de todos os gêneros que marcam a vida do público. Passam-se anos e eles continuam na mente dos expectadores. Alguns exemplos são Titanic, Ben Hur, Avatar, e vários outros que já se estamparam na nossa mente. Apesar de Um Olhar do Paraíso não ter agradado os críticos tanto quanto o esperado, sem dúvida entra na lista da categoria "filmes que mais chocaram". Embora não haja explicitamente cenas de violência, o diretor conseguiu mexer tanto com a imaginação do público, que a violência somente nas entrelinhas foi mais do que suficiente para deixar qualquer um arrepiado e de queixo caído.

Baseado no romance literário The Lovely Bones, mesmo nome nos EUA, e Uma Vida Interrompida - Memórias de Um Anjo Assassinado, traduzido no Brasil, o filme conta a história de Susan Salmon (Saoirse Ronan), uma menina de 14 anos, com uma boa família, apaixonada e que tinha grandes planos para o futuro. Susie, no entanto, foi brutalmente assassinada por um vizinho, que se passou por amiguinho das crianças, e já era um psicopata, assassino em série. A pobre Susie foi atraída para uma espécie de abrigo que o assassino George Harvey, brilhantemente interpretado por Stanley Tucci, construiu embaixo do solo em um grande campo aberto, nas proximidades da vizinhança. Com uma persuasão bem maquinada para atrair Susie, o assassino a levou escada abaixo e fingiu ser seu amigo, mas quando a menina começou a desconfiar que ele não era amigo coisíssima nenhuma, ela tentou fugir. Foi aí que George fez o que já havia planejado durante muito tempo. Em outra dimensão, depois de ter morrido, Susie não consegue se afastar da família, e tenta influenciá-los, por intermédio de seu espírito, para que descubram o assassino, já que a polícia não consegue, mesmo depois de tê-lo interrogado. Enquanto a polícia esquece o ocorrido e a família inteira não se conforma, o que culminou na dissolução familiar por um tempo, o pai de Susie (Mark Wahlberg) e sua irmã mais nova não desistem e tentam a todo custo descobrir quem foi o autor de tamanha brutalidade.

Dois detalhes do filme me marcaram profundamente. A primeira foi a apresentação de Susie, quando ela diz: "Meu sobrenome é Salmão, igual ao peixe. Primeiro nome, Susie. Eu tinha 14 anos quando fui assassinada, no dia 6 de dezembro de 1973. Foi antes de começarem a divulgar crianças desaparecidas em caixas de leite ou de virarem manchetes nos noticiários. Numa época em que as pessoas não acreditavam que coisas desse tipo aconteciam". Deu para perceber que a narrativa toda do filme é contada por Susie do além, o que deixa o filme bem macabro. É uma história arrepiante, mas muito bem contada. O único defeito, no entanto, foi o excesso de efeitos desnecessários. Durante os momentos em que a história girou em torno da investigação da família para descobrir o paradeiro do assassino foi adrenalina total, ao contrário daqueles em que mostravam Susie no céu vivendo o sobrenatural. De qualquer forma, o filme foi muito bem produzido, com ótimas atuações, excelente adaptação, e com um suspense muito bem explorado. Relutei por vários meses para assistir ao filme, pois imaginei um enredo totalmente diferente. Chato, para ser sincera. Mas me aganei completamente, pois a história me fascinou e certamente vai ficar na lista dos inesquecíveis.

Um bom alerta para os pais. Não é preciso fazer muito para se expor ao mesmo tipo de situação que Susie Salmon se expôs, especialmente em nosso mundo atual, em que oramos diariamente para ter nossa vida intacta, já que a violência está tão gratuita. Sabendo, então, que brutalidades desse tipo são reais, não custa ficarmos alerta e tomarmos mais cuidado, especialmente com nossas crianças, que são frágeis e ingênuas. Não que eu tenha que me tornar uma neurótica doente, mas vou usar esse filme como um exemplo de que estou sujeita a tragédias desse tipo do mesmo modo que qualquer um.

Minha Nota: 9,0

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