Resenha Crítica de Filme: Up - Alta Aventuras

Repito pela enésima vez. Entendo pouco os critérios utilizados pelos críticos da Academy Awards na escolha de melhor filme. Porque francamente, ainda não achei entre os dez concorrentes um que tenha sido pior que Guerra ao Terror, embora Bastardos Inglórios não tenha sido tragável depois dos dez minutos, por isso minha avaliação para este é inútil. Ainda assim, defendo com todas as armas que entre os dez havia no mínimo cinco filmes que mereciam mais ter levado a estatueta do que a obra bem meia-boca dirigida por Kathryn Bigelow. Desculpem os fãs de Guerra ao Terror, mas meus olhos não enxergaram o mesmo que os seus. No entanto, não estou aqui para repetir minha opinião sobre filmes já mencionados.


Hoje quero falar sobre uma produção infinitamente superior à metade dos filmes que concorreram ao Oscar este ano, e que não me surpreenderia caso tivesse levado a estatueta. Apesar de ter embarcado na onda atual que é o sucesso das animações, o filme Up - Altas Aventuras não se compara a nenhum outro desenho de animação gráfica que eu já tenha visto. Primeiro por ele ter uma história distintamente comovente, segundo porque os personagens não se limitam a bichos que falam, monstros ou animais que aprontam todas, mas pessoas, com dois extremos de idade, uma criança e um idoso, que superam desafios, realizam sonhos ou precoce ou tardiamente.

Carl Fredricksen é um senhor que já chegou aos seus quase 80 anos, e desde a infância guarda o desejo de conhecer o Paraíso das Cachoeiras na Venezuela, sonho que compartilha com a esposa. Simples vendedor de balões, não vive no luxo, nem consegue guardar muito dinheiro para levar a amada à América do Sul, como tanto deseja. E devido a contratempos sucessivos durante toda a vida, o pobre velhinho só conseguiu as passagens quando a esposa já não podia mais acompanhá-lo. A parte do filme em que é mostrada resumidamente a vida do casal é sem dúvida a mais bela do longa. Depois de ficar sozinho e inconformado pela perda da amada, o pobre velinho passa a mostrar com muita frequência as reações rabugentas da idade, prejudicando a paz da vizinhança. O órgão responsável pelos idosos encaminha o velhinho para um asilo, mas sem o mínimo desejo de abandonar a casa onde passou toda a vida, Fredricksen usa seu trabalho como forma de começar a aventura que jamais conseguiu, coloca milhares de balões na chaminé da casa e parte rumo ao seu grande destino, levando consigo a imagem de Ellie, sua eterna companheira. E também a presença viva de um garotinho que quer a todo o custo ajudar o velhinho para que possa ganhar o único distintivo de escoteiro que lhe falta.

Além de criativo, emocionante e muito bem produzido, o filme deixa lições de moral inesquecíveis, primeira a de que até que o último suspiro não chegue ou a última batida de coração não acabe com a vida, ainda é possível correr atrás dos mais aparentemente impossíveis sonhos. Jamais é tarde para buscar a aventura tão sonhada. Segunda, a de que precisamos olhar além do que nossos olhos estão acostumados a ver. E terceira, a de que o amor pode, sim, durar eternamente.

Minha Nota: 10,0

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