Resenha Crítica de Filme: Criação

Desde muitos séculos atrás, o mundo vive uma divisão básica entre aqueles que acreditam na religião puramente, sem questioná-la, e aqueles que a descartam completamente e levam em conta a ciência, e tudo o que ela pode provar. Felizmente, de umas décadas para cá, evidências históricas e estudos mais aprofundados têm possibilitado uma conciliação entre ambas, e muitas pessoas, até mesmo grandes cientistas, como Albert Einstein, abraçaram e abraçam durante toda a vida a verdade existente entre as duas. No filme Criação2009, esse dilema é fortemente apresentado, ao trazer à tona uma parte da vida de Charles Darwin que poucos conhecem.

Sinopse: Quem nunca ouviu falar do livro A Origem das Espécies, do cientista Charles Darwin e da grande polêmica que já provocou até hoje? Pois saiba que antes de ser publicado, o cientista enfrentou sérios problemas e uma dúvida tão cruel que quase acabou com sua vida. Criação relata esse período negro na vida de Darwin, belamente interpretado por Paul Bettany, quando ele enfrenta seus piores anos, a morte de sua filha mais velha, quem sabe a pessoa que ele mais amava, e as dificuldades internas que o levaram a protelar por anos a publicação de sua mais famosa obra. Afinal, ele era casado com Emma (a linda Jennifer Connely, esposa de Bettany da vida real), uma beata que entregava tudo nas mãos de Deus, e acreditava sem questionar nas palavras da Bíblia. E ele, ao contrário, cria na ciência e nas evidências que o levaram a desacreditar na criação do mundo conforme descrita no livro sagrado e, consequentemente, em todo o resto. Quando sua pequena Annie falece, no entanto, Charles passa a viver um tormento interno. Emma se apega ainda mais à religião, que a fortalece, já que ela acredita que sua filha está a salvo, e um dia poderá vê-la novamente. Mas Charles, não. Ele passa os seus dias projetando a filha em sua memória, e conversando com essa Annie de mentira, isolando-se cada vez mais de sua esposa, e de seus outros filhos. Durante muito tempo, ele acaba se questionando se sua alma, afinal, estará condenada se levar seu projeto adiante, e se conseguirá passar toda a eternidade longe de sua amada esposa, e seus filhos, ou se ele deve enfrentar seus temores e ir adiante com a publicação de suas descobertas.

Crítica: O filme é magnífico. Conseguiu combinar vários fatores que o tornaram uma obra de arte, como ótimos efeitos especiais, um tema polêmico, mas muito bem explorado, e muita emoção. Existem particularmente duas cenas que me encantaram, mas não quero fazer nenhum spoiler, então não conto, mas para mim, sem dúvida foi um dos melhores filmes de 2009. Como sempre digo, é uma pena que filmes assim não fazem muito sucesso. Desta vez, discordo de Isabela Boscov, que diz que o filme não conseguiu transmitir o drama pelo qual passou Darwin. Pois eu consegui captar, sim, esse drama, e consegui ter essa empatia pela dor que ele sofreu, tudo por causa dessa belíssima produção.

Observações extras: Minha mera e insignificante opinião sobre o tema diz que os dias são contados com 24 horas por nós hoje, mas não creio que eles sejam contados assim para Deus. Tenho certeza que os seis dias de criação levaram muito mais tempo do que 144 horas. Tudo acontece de forma progressiva, evolutiva, por isso, a Terra, e tudo o que nela há foram criados pouco a pouco, em um processo. Mas é claro que seis, dos nossos dias, seriam muito pouco para isso. Por isso, acredito na religião como ciência, e vice-versa. No entanto, as pessoas, de um modo geral, ainda não estão acostumadas a enxergá-las dessa forma. Os homens são capazes de criar coisas magníficas, com muito estudo e muito suor, por que Deus, que é infinitamente superior a nós, não poderia criar um mundo ou todo o universo? A diferença é que as pessoas acreditam que ele é um mago, mas creio eu, Ele é o grande cientista do universo. =)

Minha Nota: 10,0


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