Resenha Crítica de Filme: A Origem

Até algum tempo atrás eu me perguntava se era possível que ainda fosse criado um filme com um roteiro totalmente original e instigante, um elenco coletivamente impecável, e efeitos especiais perfeitamente elaborados. Sempre imaginava que tais qualidades em um filme não fossem mais possíveis, já que o cinema, pensava eu, já extrapolara todos os limites da criatividade. Aí me deparo com uma produção maravilhosamente bem feita, sem nenhum defeito aparente, e que faz os limites da imaginação ainda serem ultrapassados, dando vazão a mais novidades, e dando a certeza de que para a mente humana nada é impossível, e nunca haverá um ponto final para a criação.

Apesar de não ser o favorito a levar o Oscar de melhor filme, A Origem, que já está nas locadoras, teria tudo, mas tudo mesmo para levar o prêmio da Academia, porque sabe mexer de uma forma peculiar, única, com os limites da mente. Mas competindo com concorrentes como A Rede Social,Cisne Negro e O Discurso do Rei, por exemplo, tenho que ser sincera, vai ser um páreo duro, mesmo que o merecimento seja grande.

Uma ficção científica cheia de detalhes intelectuais, o filme trata de uma tecnologia inédita que vasculha o subconsciente humano, por meio dos sonhos. E o responsável por essa invasão é Cobb (Leonardo DiCaprio), que é o mais experiente no ramo de roubar ideias e segredos do inconsciente. Longe dos filhos e traumatizado com lembranças do passado, que o afastaram da família, Cobb aceita qualquer proposta para voltar para casa, até mesmo uma que pode acabar com a sanidade mental para sempre. Mesmo assim, ele a aceita e é obrigado a invadir a mente de alguém para fazer o contrário do que é acostumado, invadir o subconsciente para implantar uma ideia, ao invés de extraí-la.

Um pouco confuso? É isso que faz de A Origem uma produção única e ilimitadamente instigante. O filme dá uma explicação concreta, embora um pouco excêntrica, de como os sonhos funcionam. E faz com que o público questione se sua vida é uma realidade ou apenas uma projeção. O diretor Christopher Nolan é especialista em explorar a inteligência e executar ação nas produções, e já fez isso em outros grandes filmes, incluindo um de meus preferidos também, O Grande Truque. Apesar de minha mera opinião, o filme não agradou muito os críticos. José Wilker, por exemplo, disse, em entrevista ao G1 que ele se incomoda um pouco com filmes desse estilo, que utilizam tecnologias avançadas disponibilizadas no cinema, para contar uma história que no fundo é simples demais. A minha favorita Isabela Boscov achou os efeitos incrivelmente bem executados, mas criticou a ideia do filme, já que as ações que estão nos sonhos dos personagens são muito bem calculados, fugindo totalmente da realidade, já que os sonhos são na verdade uma bagunça, totalmente desorganizados e, os quais na realidade, o sonhador nunca faz a menor ideia do se trata, e não consegue controlá-los, ao contrário dos invasores de sonhos do filme.

Não posso apostar minhas fichas nessa produção, porque A Rede Social é a favorita ao prêmio da Academia. Mas levando a estatueta ou não, A Origem tem tudo para ficar para a história. Pela originalidade, pela inteligência, pela grandiosidade, pela complexidade da obra, a produção sem dúvida será praticamente insuperável, apesar de a história ser bastante simples, como disseram os críticos. E minha nota só poderia ser 10 para essa obra de arte.

Minha Nota: 10,0

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