A Expiação

Antes de janeiro de 2004, data de meu Batismo, jamais havia entendido de fato o motivo de Jesus Cristo ter morrido na cruz, sofrido tanto ou o que Ele significava para o mundo e para Deus. Imaginava que Ele era simplesmente um injustiçado, e um homem que nos deixou bons exemplos e boas lições. Claro que, na época, eu não estava de toda errada, mas a vinda de Jesus Cristo à Terra, e Sua Expiação vão muito mais além do que meramente a injustiça que Ele sofreu, e Sua bondade e amor pelas pessoas. A vida de Cristo e Sua Expiação são as duas partes mais importantes do plano de Deus para Seus filhos (Plano de Salvação).

No post da semana passada, já dei uma pincelada sobre a Expiação de Jesus Cristo, que começou no jardim do Getsêmani, quando o Salvador tomou sobre si todas as dores e pecados do mundo, e culminou com sua morte na cruz, depois do breve momento em que o Espírito de Deus se afastou de Jesus Cristo para que Ele pudesse sentir o que as pessoas sentem quando cometem pecado. Sobre esse momento, eu gostaria de citar um trecho do discurso "Não Havia Ninguém Com Ele", do Elder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos (abril de 2009).

"Era necessário, de fato era primordial, para o significado da Expiação, que esse Jesus, Filho perfeito, que nunca falara nem fizera mal, que não tocara em nada imundo, precisasse saber como o restante da humanidade, nós, se sentiria quando cometesse tais pecados. Para que Sua Expiação fosse infinita e eterna, Ele teve de sentir como era sofrer não somente a morte física, mas também a espiritual, sentir como era ter Seu Espírito divino retirado, deixando-O numa solidão total, abjeta e desesperadora".

Como entender a Expiação

Creio que ninguém, ou pelo menos muito poucas pessoas conseguem entender plenamente o que Cristo passou durante Sua Expiação. Afinal, Ele tomou sobre si todas as dores, os pecados, os sofrimentos de toda a humanidade. Tanto das pessoas que já haviam nascido, quanto daquelas que ainda viriam até o fim desta Terra. Somente Jesus Cristo poderia fazer isso. Por ser filho Unigênito de Deus, Ele herdou poder sobre a morte, ou seja, Ele poderia subjugá-la, por isso, conseguiu suportá-la até o momento certo, em que deveria de fato entregá-la a Deus. Além disso, Jesus Cristo foi a única pessoa que já passou pela Terra sem ter pecado algum, por isso, Ele era a única pessoa digna para expiar pelos pecados da humanidade.

A Expiação de Jesus Cristo possibilitou que as pessoas pudessem ser salvas de seus pecados e não precisem sofrer caso se arrependam, tenham fé em Jesus Cristo e procurem obedecer a Seus mandamentos. A Expiação foi como o pagamento de uma grande dívida que não teríamos capacidade de bancar sozinhos. 

Existe uma parábola muito boa que ilustra o que significa o sacrifício do Salvador por nós. Ela foi contada pelo Elder Boyd K. Packer, do Conselho dos Doze Apóstolos, há muitos anos, em 1977:

"Era uma vez um homem que desejava muito certa coisa. Parecia ser para ele mais importante do que qualquer outra coisa na vida. A fim de satisfazer seu desejo, contraiu uma grande dívida.

Ele fora prevenido quanto a contrair uma dívida tão grande e, particularmente, quanto ao credor. Entretanto, para ele, parecia ser muito importante fazer o que desejava e ter o que queria imediatamente. Tinha certeza de que poderia pagar mais tarde.

Por isso, assinou um contrato. Os pagamentos seriam feitos de alguma forma, no futuro. Isso, porém, não o preocupava, pois parecia haver muito tempo pela frente. Conseguiu naquele momento o que desejava, e isso era o que importava.

O homem, porém, tinha sempre em mente o credor e fez-lhe alguns pagamentos esporádicos, pensando de certa forma que o dia do acerto de contas nunca chegaria.

Mas, como sempre acontece, o dia chegou, e o contrato venceu. A dívida não havia sido completamente paga. O credor veio e exigiu o pagamento completo.

Foi somente então que ele entendeu que o credor tinha não apenas o poder para tomar tudo o que possuía como também de pô-lo na prisão.

‘Não posso pagar… não tenho como pagar’, confessou ele.

'Então’, disse o credor, ‘executaremos o contrato, tomaremos suas propriedades e você irá para a prisão. Você concordou com os termos. Foi sua escolha. Você assinou o contrato e ele agora será executado’.

‘Você não poderia aumentar o prazo ou perdoar a dívida?’ Suplicou o devedor. ‘Ache um modo de eu conservar o que possuo e de não ir para a cadeia. Você acredita em misericórdia, não é? Tenha misericórdia de mim!’

O credor respondeu: ‘A misericórdia é sempre unilateral. No caso, serviria apenas a você. Se eu for misericordioso, ficarei sem pagamento. O que eu quero é justiça. Você acredita em justiça?’

‘Acreditava na justiça quando assinei o contrato’ disse o devedor. ‘Ela estava do meu lado, então, pois eu pensava que me protegeria. Não precisava de misericórdia naquela época e nem pensava que viria a precisar. A justiça, eu pensei, serviria igualmente a nós dois.’

‘É a justiça que exige que você pague o contrato ou sofra a penalidade’ disse o credor. ‘Essa é a lei. Você concordou com ela e é assim que deve ser. A misericórdia não pode roubar a justiça.’

E assim ficaram eles. Um exigindo justiça, e o outro suplicando misericórdia. Se um deles prevalecesse, seria à custa do outro.

‘Se você não perdoar a dívida, não haverá misericórdia’ suplicava o devedor.

‘Se eu perdoar, não haverá justiça’, foi a resposta.

As duas leis, aparentemente, não podiam ser obedecidas ao mesmo tempo. São dois ideais eternos que parecem contradizer-se. Não haverá meio de se satisfazerem totalmente a justiça e a misericórdia?

Sim, há um meio! A lei da justiça pode ser totalmente satisfeita, e a misericórdia pode ser plenamente concedida — mas há necessidade de outra pessoa, e foi isso o que aconteceu.

O devedor tinha um amigo que veio em seu auxílio. Ele conhecia bem o devedor e sabia que era imprudente. Achou que o amigo havia sido tolo por ter contraído tal dívida. Não obstante, queria ajudar, porque o amava. Ele se colocou entre os dois homens, olhou para o credor e fez sua oferta.

‘Pagarei a dívida, se você liberar o devedor do contrato, para que mantenha suas posses e não vá para a prisão.’

Enquanto o credor considerava a oferta, o mediador acrescentou: ‘Você exigiu justiça. Embora ele não possa pagar-lhe, eu o farei. Você receberá a justa reparação e não terá mais nada a reclamar, pois não seria justo’.

E assim, o credor concordou.

O mediador voltou-se então para o devedor. ‘Se eu pagar sua dívida, você me aceitará como seu credor?’

‘Oh, sim, sim’ exclamou o devedor. ‘Você me salvou da prisão e teve misericórdia de mim.’

‘Então’, disse o benfeitor, ‘você pagará a dívida para mim, e eu estabelecerei as condições. Elas não serão fáceis, mas serão possíveis. Encontrarei um meio de tornar o pagamento possível e você não precisará ir para a cadeia.’

E assim o credor foi totalmente pago, tudo se fez com justiça e o contrato não foi quebrado.

Ao devedor, por sua vez, foi concedida a misericórdia. As duas leis se cumpriram. Graças à intervenção de um mediador, a justiça foi feita com exatidão, e a misericórdia foi plenamente satisfeita”.

É mais ou menos assim que funciona o sacrifício do Salvador por nós. Nós temos muitas dívidas, que são os nossos pecados, e não podemos satisfazer a justiça completamente, porque não podemos pagar por todas essas dívidas sozinhos. Jesus Cristo é nosso misericordioso mediador, aquele que intercede por nós e nos ajuda a pagar nossas dívidas. Mas não seria justo que Ele pagasse nossas dívidas e deixasse por isso, porque assim, não daríamos o devido valor a esse sacrifício e continuaríamos contraindo dívidas. É necessário que façamos a nossa parte, o nosso máximo. A Expiação foi completa depois que Cristo ressuscitou, dando-nos a dádiva maravilhosa da ressurreição também.

O copo incompleto 

Quando dou aulas aos jovens sobre a Expiação de Jesus Cristo, eu costumo dizer que nossa vida é como se fosse um copo vazio. O copo cheio significa a perfeição, como Jesus Cristo. Ao longo da vida, nossa obediência e nossas atitudes dignas e honradas vão enchendo nosso copinho, e nossos erros e pecados, vão esvaziando aquilo que já estava cheio. Mas ainda que tentemos fazer o nosso melhor, jamais conseguiremos sozinhos deixar nosso copo completamente cheio, porque o ser humano é falho. Mas se fizermos o melhor que pudermos, procurando obedecer aos mandamentos de Deus, ser pessoas boas e cumprir as leis do Evangelho, Jesus Cristo, por meio da Expiação, completa a quantidade que falta para que o copo fique completamente cheio. Em outras palavras "se respeitarmos Suas condições, que são arrependimento e a obediência aos mandamentos, poderemos voltar a viver com o Pai Celestial" (Manual Princípios do Evangelho, pág. 67).

"Portanto, todos aqueles que se arrependerem e vierem a mim como criancinhas, eu os receberei, pois deles é o reino de Deus. Eis que por eles dei a vida e tornei a tomá-la; portanto, arrependei-vos e vinde a mim, ó vós, confins da Terra, e salvai-vos” (3 Néfi 9:21–22).



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