A informação das redes sociais

Todo mundo fala hoje a respeito da importância de se manter informado. E de fato é essencial mesmo que as pessoas entejam por dentro do que permeia seu universo. Mas para analisar a fundo até que ponto a informação contribui para agregar conhecimento, é necessário também que aquele que busca por ela avalie pelo menos dois aspectos fundamentais da informação: a relevância dela e sua fonte de origem. Essa análise é crucial especialmente se aquele que absorve a informação pretende passá-la adiante.

Esta semana, a rede social Facebook foi bombardeada com uma informação falsa sobre uma dita reportagem exibida no Fantástico sobre a falta de privacidade que a rede proporciona aos usuários. Segundo a informação, que se espalhou rapidamente, você segue alguns passos e faz uma configuração que aumenta a privacidade de um amigo, já que as atividades dele não ficam visíveis na timeline de pessoas que não sejam suas amigas na rede. Não sou expert no assunto, por isso não vou explicar detalhes sobre configurações do Facebook, até porque esse não é o tema desta postagem. Na verdade, gostaria de chamar a atenção hoje para o problema das informações ditas fake que rolam pela internet e "pegam" muitos usuários que, sem ao menos procurar a fonte, propagam-nas como sendo verdadeiras, aumentando ainda mais a confiabilidade de milhares de internautas em notícias inventadas e totalmente falsas.

Foi o caso do que aconteceu esta semana. Alguém inventou que essa configuração foi tema da reportagem e garante mais privacidade. Resultado: em menos de 24 horas a notícia rodou todo o país.

Imagem publicada no artigo do G1
O impacto foi tão forte que o G1 teve que fazer um novo artigo explicando que não era disso que se tratava a reportagem do Fantástico, até porque muitas das pessoas que compartilharam a informação nem ao menos assistiram à tal reportagem, que na verdade, trata da exposição excessiva a que os próprios usuários das redes sociais se submetem, e como elas podem ser facilmente vistas por qualquer pessoa. Assista aqui à matéria.

Algumas pessoas aproveitaram esse novo fake e desabafaram. Foi o caso do meu cunhadito Cleber Lopes de Albuquerque, que não citou exclusivamente esse caso, mas fez uma bela crítica ao número imensurável de informações falsas que se espalham pela rede, e que não são nem ao menos confirmadas. Veja abaixo:

"Acho Incrível o número de pessoas que publicam as coisas na internet sem conhecer a fonte. Muitos aceitam estas como verdade absoluta, mas o pior é ver outras pregando essas farsas como se tivessem testemunhado o acontecido. Vi textos de pessoas com educação, mas que mostram o uso de pouca inteligência no momento em que discutem sobre um assunto que não procede, como se fizessem parte do "acontecido" que não aconteceu. Não me refiro apenas ao que passa ou não passa no fantástico, mas nas situações que vejo no dia a dia. Talvez seja por isso que somos assombrados pela fofoca irreal e irrelevante. Pois as pessoas precisam comentar sobre algo e fazer parte de algo, mesmo que seja apenas dentro da cabeça delas. Meus amigos, mentiras não se tornam verdade somente por que você pode imaginá-las em sua mente. Não publique ou fofoquem sobre assuntos que você apenas ouviu falar. Pense que talvez existam pessoas que irão te usar como fonte e espalhar o que você falou, por confiar em você. O que é errado, pois devemos analisar toda a informação que recebemos, pelo menos isso é o que seres racionais fazem. Se for fofocar, fale bem das pessoas e coisas que conhece, assim podemos espalhar a bondade e o amor. Eu também sou totalmente a favor de argumentos e debates, mas antes de argumentar sobre algo que não for apenas a sua opinião, por favor, esteja certo sobre o que está falando. E se for sua opinião, aconselho que a baseie em fontes seguras após pensar sobre o assunto. Infelizmente escrevi esses pensamentos somente em português pois tenho visto isso acontecer quase que somente com meus amigos brasileiros. Espero que esse texto possa fazer pelo menos uma pessoa pensar".

Esse comentário me deu uma boa ideia de postagem, pois me fez pensar em como é fácil uma fofoca, ou uma simples informação forçada, ser passada adiante, porque as pessoas acreditam demais em seus amigos, muitos dos quais também foram enganados.

O meu comentário se estendeu aos veículos de comunicação que, não raramente, apesar de toda uma legislação que orienta o bom uso da informação, e o cuidado com as fontes, veicula matérias com informações erradas, mas impactantes, que angariam uma boa audiência, seduzindo o público ingênuo que tem total credibilidade na imprensa, ou na mídia, de um modo geral. Um dos casos mais famosos é o da Escola Base, cujos proprietários foram acusados de abuso sexual e muitos veículos de comunicação de todo o Brasil veicularam as informações precipitadas sobre esses abusos. Depois de um tempo, foi comprovada a inocência dos quatro acusados, mas a vida deles já havia se tornado um inferno. Veja alguns detalhes recentes sobre o caso.

Em relação às informações expostas no Facebook, eu mesma já quase caí em várias delas, mas aprendi depois dos tombos, que antes de propagá-las, é fundamental que a fonte seja analisada. Alguns blogs e sites têm como conteúdos notícias inventadas. O site Sensacionalista, do Multishow, é um dos mais famosos, e apesar de ter conteúdo exclusivamente de entretenimento, tanto que o slogan é "isento de verdade", que embora seja ambíguo, sugere que não deve ser levado a sério, muitas pessoas já espalharam notícias do site como sendo verdadeiras. O mesmo acontece com o site Bobagento.

Por isso, não só em relação às informações que se espalham pelas redes sociais, mas até mesmo as de veículos de comunicação, que são manipuladas por seres humanos imperfeitos e sujeitos a erros, é importante que o público se mostre crítico e analítico e procure ter mais cuidado quando receber ou repassar informações, para que tenha certeza sobre seu conteúdo, e além de não serem enganados, não perpetuem tais equívocos, que bem ou mal intencionados, continuam sendo equívocos.

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