A rebeldia jornalística sob a visão crítica do ser humano

A imprensa perdeu credibilidade para parte do público, aquele mais culto, que tem mais senso crítico. O público passivo acredita piamente no que o jornal fala. Mas as pessoas que entendem que os apresentadores e os repórteres são imperfeitos, como qualquer um, sabem que somente versões da realidade estão sendo apresentadas diante de nós. Por isso, alguns casos de notícias com informações distorcidas, fizeram com que muita gente desacreditasse na imprensa. Levanto uma questão então: o ser humano crítico é mais extremista ou mais cauteloso?

Eu diria que ambas as coisas. Confesso que estou decepcionada com a imprensa, por isso gosto de agir com cautela e buscar informações de várias fontes, o que, às vezes, aumenta mais minha indignidade, já que as informações, comumente, não batem. Mas também creio que sou bastante extremista, porque infelizmente não consigo olhar um telejornal sem ficar com um pé bem atrás. Parei para pensar agora que estou exagerando, já que nem tudo é descartável, por exemplo, não é porque grande parte dos políticos seja desonesta, que não seja possível encontrar aqueles que visam, de fato, ao bem da sociedade. Não é porque alguns policiais são corruptos, que precisamos colocar todos eles no mesmo saco, porque muitos deles trabalham de forma decente e digna para a proteção das pessoas. Não é porque você ficou sabendo que alguns religiosos fizeram coisas que não deviam, que todas as religiões do mundo sejam abomináveis, porque os princípios de muitas delas de fato fazem bem para o enriquecimento espiritual.

Então, o melhor caminho seria mesmo que nós tomássemos cuidado com o que recebemos de informação, mas sem chutar o balde e dizer que nada daquilo presta. O conhecimento é cada vez mais enriquecido quando buscamos diversas fontes de pesquisa, só assim podemos chegar perto da realidade e da comprovação dos fatos. Ou quem sabe não, quem sabe a salada fique ainda maior, mas pelo menos vamos buscar diversidade. Afinal, apesar de o jornalista estar a frente do público para lhe informar, ele mostra a própria visão sobre o que está apurando. E apesar de tentar fazer isso da maneira mais objetiva possível, carrega sua maneira de apurar, e seleciona os fatos de acordo com o que acha mais importante. E por isso, passa informações não tão completas, e algumas vezes, não tão verdadeiras.

Em casos mais extremos, a imprensa usa seu poder e manipula, ou melhor dizendo, distorce propositalmente as informações sabendo que a maioria majoritária da população, que não tem acesso a muitos meios de comunicação e se baseiam na televisão, principalmente, para se informar, vai acreditar sem duvidar uma vírgula.

Estou numa lenga lenga danada aqui, mas o que queria mesmo dizer é que, para mim, o jornalismo tem dois belos e nobres propósitos: informar e, como coloquei no meu cabeçalho, uma frase grandiosa de um líder de minha Igreja "proclamar a verdade e proporcionar aos homens tanto conhecimento quando puderem receber". Então, saiba, você, que existe jornalismo sério e jornalista sério. E existem centenas de rumos que o jornalismo pode tomar, e não necessariamente o convencional, aquele que mais vemos na TV, nos jornais impressos e nas rádios. Claro que essa é só minha opinião. Para ilustrar melhor o que os grandes jornalistas definem como sendo jornalismo, vou colocar a citação que li no livro "Jornal, História e Técnica", de Juarez Bahia, página 20.

"A missão do jornalismo se confunde com a natureza da informação. Sua prioridade básica é difundir notícias. Fora dessa função primordial, absorve muitas outras como, por exemplo, a de promover o bem comum e a de estimular a mais ampla e livre troca de ideias entre as pessoas, quaisquer que sejam suas convicções. Naturalmente o jornalismo está sujeito a distorções e, na prática, seus conceitos e definições nem sempre comprovam a teoria. No entanto o exercício do jornalismo torna-se mais eficaz e passa a ser melhor compreendido quando são maiores as garantias à liberdade. (...) Não se justifica jornalismo sem liberdade de expressão e pensamento, da mesma forma que não há democracia sem pluralismo. A liberdade é vital para o jornalismo, tanto quanto o é para a pessoa. Os direitos e privilégios legais do jornalismo reconhecem, na sua capacidade de informar e opinar, orientar e entreter, um papel que se identifica na sociedade e na civilização como inestimável e insubstituível. (...) Desde o começo, o jornalismo busca influenciar e alterar padrões de comportamento, induzindo atitudes, registrando formas produção e gerando hábitos de consumo. (...) Usos levianos e tendenciosos da notícia provocam maléficas consequências sejam no rádio, na televisão, no jornal ou através de outro qualquer meio".

Hoje fica por isso. Não sei se disse tudo o que queria, mas já dá uma boa discussão.

Comente com o Facebook:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...