Resenha Crítica de Filme: O Discurso do Rei

No último domingo, os cinéfilos de plantão foram prestigiados por mais uma entrega do prêmio mais importante do mundo do cinema, o Oscar, que já está no seu 83º ano. Achei muito interessante a reviravolta que ocorreu entre a premiação do Globo de Ouro e a última cerimônia do Oscar, porque até um dia após a entrega do Globo de Ouro, o grande favorito a liderar o recebimento das estatuetas era o filme A Rede Social, e ao longo do mês de fevereiro, críticos de todo o mundo passaram a apostar no filme O Discurso de Rei, que cresceu consideravelmente no conceito popular e recebeu previsivelmente o prêmio pelas quatro principais categorias, filme, diretor, ator e roteiro original.


Confesso que o Discurso do Rei não era o meu favorito a levar a premiação de melhor filme, tendo em vista que concorria com A Rede Social e o meu favorito A Origem, mas tenho que admitir que tinha todos os elementos necessários para levar a estatueta. E essa é a minha principal crítica negativa em relação a ele, que foi feito com o propósito escrachado de levar prêmios e não necessariamente contar uma história. O filme todo é redondinho demais, sem muita ação, empolgação e criatividade. Limita-se apenas a descrever a problemática do personagem.

O enredo conta a história de George VI, rei inglês que tinha um problema incomum aos monarcas, a gagueira. Diante desse problema, que obviamente era um empecilho enorme para sua posição social, George (Colin Firth) procurou sem sucesso diversos profissionais. Já sem esperança, sua adorada esposa Elizabeth, interpretada pela grande Helena Bonham Carter, faz uma última tentativa e encontra o terapeuta Lionel Logue (Geoffrey Rush), que passa a tratar da gagueira de George como um problema de fundo emocional, psicológico, e não superficialmente fisiológico. Inicialmente desencorajado e desmotivado, George, ou Bertie, como gostava de ser chamado pela família, não aceita de boa vontade a ajuda de Lionel. Mas ao longo do tempo percebe que de fato seu problema é muito mais relacionado com marcas de repressão do passado, feitas pelo pai, do que um problema físico. Tendo o encargo de assumir o trono, depois que seu irmão abdica da responsabilidade, Bertie se vê pressionado a curar esse mal que prejudica a carreira, e passa a encarar a terapia de Lionel, percebendo que de fato ela o ajuda, e de quebra cria um vínculo de amizade muito grande com o terapeuta.

Como eu disse, o filme é muito agradável, mas não é extraordinário ao ponto de levar os prêmios de melhor filme e melhor roteiro. De qualquer forma, tem itens muito positivos, como a valorização dos problemas psicológicos como base para os físicos, o que para a época era uma aberração, um absurdo. Também mostrou a importância do vínculo familiar e de amizade, e especialmente a determinação para a superação de um problema. Colin Firth, que interpretou George, esse sim mereceu levar a estatueta, pois foi uma das atuações mais incríveis que já vi até hoje. Incorporou verdadeiramente a sensibilidade do personagem, como se ele de fato fosse gago. Não vi muitas atuações tão autênticas e convincentes como a de Colin em O Discurso do Rei. De qualquer forma, analisando superficialmente, o filme foi feito com o intento escancarado de levar o Oscar, e perdeu a oportunidade de ousar mais e ficar para a história. 

Minha Nota: 8,0


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