Resenha Crítica de Livro: A Bruxa de Portobello

Sempre ouvi falar de Paulo Coelho como sendo um grande escritor. Li pela primeira vez uma de suas obras ainda na infância. Como não tinha muita opinião própria e me baseava significativamente pela influência alheia, achei O Diário de um Mago um bom livro e merecedor de todo o sucesso. Bom, eu tinha 9 anos e na verdade não tinha achado nada, porque meu nível de entendimento se limitava às historinhas da Turma da Mônica. Mas você já imaginou o status de quem lê Paulo Coelho com 9 anos?

Retomei as leituras do Paulo Coelho há mais ou menos um ano. Sempre intercalo uma leitura pela qual eu realmente esteja interessada com algum livro do autor em questão. Desta vez o escolhido foi o relativamente novo A Bruxa de Portobello (2006). Já comentei aqui a respeito do único livro do autor que me deixou profundamente satisfeita. Ainda está na lista Onze Minutos, que me parece agradável, mas ainda não pude ler. Em relação ao livro da bruxa, tenho péssimos pontos de vista.


Sherine, ou Athena, apelido pelo qual prefere ser chamada, é uma menina adotada por uma família libanesa, que depois de sofrer problemas políticos, resolve se mudar para Londres. A menina, sempre estudiosa e que cresceu em um ambiente de educação impecável, é toda misteriosa, e logo aos 20 anos, casa-se e tem um filho, porque acreditava que a missão de sua vida era ter um bebê. Mas seu casamento, que começou por motivos precipitados, acaba muito cedo. Obviamente que Sherine teve que lutar sozinha e se acostumar com uma vida de labuta com a qual anteriormente não estava habituada. Ao longo de suas conquistas e curiosidades sobre o mundo, Sherine descobre o misticismo e mergulha fundo nessa realidade. Até aí, tudo bem. O problema é que a mulher se empolga demais com seus "poderes" sobrenaturais e em pouco tempo um monte de gente fica sabendo, inclusive pastores cristãos, que se enfurecem com a novidade.


A linguagem do livro até que me prendeu a atenção, com algumas exceções, o final do livro, por exemplo. Tive que lê-lo duas vezes para compreender bem. Mas de um modo geral, a leitura é fácil mesmo, uma das características que fizeram os livros de Paulo terem estourado em todo o mundo. Só que, tirando a leitura fácil, o livro é muito enrolado, com poucos picos de emoção e muito blá blá blá até chegar ao final, nada empolgante também e bem fora da realidade. Sherine é uma personagem bem arrogante, embora o autor tenha tentado ascendê-la a uma escala de boa mocinha e sábia. Quero fazer uma crítica específica sobre uma fraqueza de muitos religiosos: a necessidade de ganhar fieis à base da crítica destrutiva a outras crenças. No livro, por exemplo, Sherine é perseguida por fieis cristãos, o que aparentemente demonstra serem estes os preconceituosos, concordo em partes. Mas em vários momentos no livro, a suposta bruxa insinua que os "ignorantes" são aqueles que seguem uma religião cujo ponto principal é Deus, e que aqueles que adotam como doutrina a adoração à Mãe Deusa são os verdadeiros libertos. Na verdade, houve o mesmo desrespeito ao cristianismo e outras religiões que adoram Deus, quanto o contrário. Irrita-me consideravelmente essa mania que algumas pessoas têm de querer arrastar as pessoas para suas crenças descendo a lenha nas outras. Respeito em primeiro lugar, né? Não é porque eu sou mórmon que vou falar mal de todos os outros dogmas na tentativa frustrada de fazer com que as pessoas acreditem no mesmo que eu. Sinceramente, essa é a forma menos eficaz para se conquistar adeptos. E Paulo Coelho a usa muito em seus livros, deixando margem para muita gente desgostar de seus livros. Também achei bem infundada a ideia que o autor passou de que as pessoas que vivem sob regras são ignorantes e limitadas, e que o certo mesmo é fazer o que dá na telha sempre.

Minha Nota: 6,0

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