As ramificações do orgulho

Não sou especialista em sentimentos ou em desvendar os mistérios da emoção, mas algumas coisas ficam um tanto batidas quando se faz terapia, como por exemplo, reconhecer as maneiras de como o orgulho pode se apresentar. Uma das coisas que constatei neste ano, trabalhando com a minha psicóloga, foi que a maioria dos sentimentos negativos que carregamos em nosso coraçãozinho problemático, lá bem no fundo, tem como raiz o orgulho. Não que ela tenha dito com essas palavras, mas foi o que, por conta própria, acabei por aprender. O orgulhoso tem todos os sentimentos listados abaixo. Um ou outro é mais notório. Mas pouco ou muito, todos eles acabam aparecendo no orgulhoso. Bom, em maior ou menor grau, sinceramente, não sei se já conheci alguém que não tivesse nem um pouquinho sequer de orgulho.

Agora vamos lá. De que forma esse sentimento tão desgostado, mas também tão atado à nossa personalidade, mostra-se presente? Ah, mas vamos deixar claro que não falo aqui a respeito do orgulho no sentido de sentimentos de satisfação por um objetivo alcançado ou por um talento ou atributo, falo a respeito do orgulho em excesso, que se torna, muitas vezes, uma baita pedra no sapato, sem ao menos percebermos. O orgulho muitas vezes é considerado sinônimo da soberba, mas minha mera opinião diz que a soberba é um dos "ramos" do orgulho, já que é o a mais aparente deles. Creio que o sentido da palavra soberba seja mesmo mais comparável ao da palavra arrogância. Então vamos começar por ela:

1. Arrogância ou Soberba: é o ramo do orgulho que mais detesto, embora hoje tenha mais tolerância a ele. É quando o indivíduo crê de todo o coração que é melhor do que os outros, ou que é mais sábio, mais inteligente, mais bonito, ou que faz mais bem à humanidade do que qualquer outra pessoa de seu convívio. Uma coisa é se considerar sábio, inteligente, bonito. Outra, bem diferente, é defender com unhas e dentes que essas qualidades o tornam superiores aos outros. Agora uma coisa: se você, por exemplo, acha-se bonito e lhe perguntam sobre isso, dizer a verdade, que, sim, você se acha bonito, não é arrogância. "Sou bonito" e ponto, sem comparação. Ao invés de "sou o mais bonitão do pedaço". A arrogância só existe quando você acha que a sua beleza, sua inteligência, ou sua pessoa, de um modo geral, transcende a dos outros, ou de alguém específico.

2. Rixa: vem seguida da arrogância, porque alguém que se considere superior vai estar sempre competindo com os outros para poder estar à frente. Vai tentar superá-los em tudo, e aí vem a frustração, porque sempre acharemos alguém que vai ser melhor do que nós em alguma coisa. Se eu pretendo ser a mulher mais inteligente do mundo, vou lutar dia e noite para superar os outros, em especial os mais próximos, naquilo que mostre minha capacidade intelectual, mas na realidade, sempre vou acabar encontrando pessoas com mais inteligência do que eu. Sempre! A verdade mesmo é que não há exatamente como medir esse tipo de coisa, porque eu posso ser mais inteligente do que alguém visado em matemática, por exemplo, mas ela com certeza vai ser mais inteligente do que eu em algum outro aspecto, em artes ou em línguas, ou seja lá no que. O caso é que eu sempre vou tentar correr para chegar à frente, mas nunca vou conseguir, porque cada um tem seus talentos e suas aptidões, e é isso que torna cada um especial de modo distinto. Competir, senão para ganhar um campeonato esportivo ou por diversão, é pura bucha, pois vai trazer a cada "vitória" uma imediata "derrota".

3. Inveja: fica juntinha com a rixa, porque ao tentar superar alguém, vou perceber qualidades nessa pessoa que eu não tenho, aí vou invejá-la e tentar superá-la nessas também. É o famoso círculo vicioso. Invejo alguém e crio uma rixa com ela. Daí vou lutar para superá-la, mas vou perceber que em outros aspectos ela é melhor, daí vou tentar superá-la de novo... e por aí vai. Sentimento danado este.

4. Complexo de Inferioridade: contraditório? Que nada! O invejoso se acha inferior àquele a quem tenta superar. Com certeza! E vai se achar sempre que perceber nos outros algo que gostaria de ter.

5. Egoísmo e egocentrismo: quando alguém quer tudo para si e acha que o mundo gira em torno do seu umbiguinho. Digo que ambos os sentimentos são unidos aos outros por uma cordinha fina, porque pode aparecer de forma sutil, escondido dos itens anteriores, ou de forma bem clara, superando-os. Acho que nunca vi alguém demonstrar tanto seu egoísmo quanto demonstra a rixa, a inveja ou a arrogância. Sei lá, opinião. Mas de qualquer forma, acaba se relacionando com os outros, pois o orgulhoso quer a glória ou as conquistas só para si.

Que mais? Bom, existem inúmeras outras desagradáveis consequências quando uma pessoa possui um orgulho excessivo. Mas creio que sejam mesmo só consequências. Uma pessoa pode se tornar desonesta por querer obter muito dinheiro. Ou pode acabar sendo maldosa para acabar com alguém que inveje, difamando-a, quem sabe. Pode ainda se tornar ignorante para humilhar os outros e mostrar sua suposta superioridade. Enfim, muito pode acontecer com o orgulhoso, porque o orgulho se apresenta de modo diferente para cada um. Alguns têm mais domínio sobre ele. Mas pode acontecer também de o orgulho ter mais domínio sobre a pessoa que o possui. O negócio é o seguinte: todo mundo é orgulhoso, creio eu, mas temos maneiras bem diversas para tentar superar esse sentimentozinho chato. Procurar ajuda psicológica e tentar imitar Jesus Cristo são as mais eficientes, pelo menos pra mim.

Ah! A inferioridade pode aparecer desvinculada de quaisquer outros sentimentos, quando alguém é por demais maltratado, humilhado, criticado ou ignorado. Daí é complicado mesmo. Acho que nesse caso a pessoa não possui orgulho, mas sim um ódio de si mesma bem complicado de superar. Nossa! Que rolo tudo isso, né? Só santo mesmo para não ter raiva de si mesmo e também nem um pouco de orgulho. Por isso que digo, acho que nunca conheci ninguém que não fosse orgulhoso ou não estivesse na pindaíba de tão maltratado. Socorroooooooooo! Já me disseram o segredo: "não tentar ser o melhor, mas fazer o melhor que puder, sem querer superar ninguém, exceto a si mesmo", legal, né? Está aí. Fazer o máximo que pudermos, mas sem visar o nosso sucesso em cima do fracasso dos outros. O nosso sucesso só vale de verdade se for para superarmos a nós mesmos, senão seremos competidores a vida inteira.

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