O valor da espera

Não é novidade para ninguém o fato de que, nos tempos atuais, quando tudo precisa obrigatoriamente ser feito de forma rápida, com prazos curtíssimos e ainda assim de modo que saia "perfeito", a paciência, em épocas passadas considerada a maior virtude do ser humano, passou a ser uma qualidade raríssima e para a qual se dá uma mínima importância. Já ouvi uma pessoa dizer que a arte de saber esperar é para preguiçosos e gente que tem tempo de sobra. Nem preciso comentar que essa mesma pessoa foi uma das mais grossas indelicadas que já conheci e que sua saúde era exorbitantemente precária.

Estou me referindo neste post sobre a paciência no sentido de esperar, mas lá no fundo, ela acaba se relacionando à paciência propriamente dita, a maneira delicada como tratamos nossos semelhantes, em especial nossa família. Eu tinha um sério problema com a paciência. Não éramos amigas muito próximas. Além de eu querer que as coisas acontecessem imediatamente, ainda tratava mal todas as pessoas íntimas, enfim, era bem frustrada e ignorante. Não que agora eu seja um monge tibetano, calminha, mas já melhorei bastante.

Daí, entrando de uma vez no assunto que quero tratar, deixo claro que não sou da opinião de que devemos esperar sentadinhos de braços cruzados que as coisas aconteçam em nossas vidas. Não é a isso que me refiro quando falo de esperar. A luta não deve ser protelada. O que devemos esperar com calma e paciência são os resultados dessa luta, entende?

Algumas semanas atrás, eu estava lendo um discurso da Conferência Geral que ocorre duas vezes por ano em nível mundial na minha Igreja. Um dos líderes que discursaram, Dieter F. Uchtdorf, contou que há cerca de cinquenta anos um professor universitário realizou um teste com algumas crianças de quatro anos para avaliar o nível de força de vontade e paciência. Deixou à disposição delas um doce e disse que podiam comê-lo imediatamente ou esperar 15 minutos e ganhar mais um. Deixou as crinças sozinhas e observou por aqueles espelhos falsos, sabe? O resultado: Algumas crianças não esperaram nem um minuto e cataram o doce na mesma hora; outras esperaram um tempinho, mas não resistiram; e 30% delas esperaram os quinze minutos sugeridos e ganharam os dois doces. Esse pesquisador acompanhou a vida dessas crianças e percebeu, depois de anos, que as crianças que não conseguiram esperar sofreram com problemas de comportamento. Já as que conseguiram tornaram-se mais positivas e mais bem sucedidas na escola, por exemplo.

Óbvio que o teste só foi uma avaliação, que refletiu a maneira como as crianças estavam crescendo. Sem correção quando pequenas, essas características que o pesquisador verificou só foram reforçadas ao longo dos anos.

Por isso a grande importância de desenvolvermos a paciência. E mais, a de trabalharmos para termos sucesso. Uchtdorf deixou uma mensagem incrível nesse discurso:

"(...) Aprendi que a paciência era muito mais do que simplesmente esperar que algo acontecesse. A paciência exigia que trabalhássemos ativamente em direção a metas, e não ficássemos desanimados quando os resultados não aparecessem imediatamente ou viessem sem esforço. (...) A paciência significa esperar ativamente e perseverar. Significa permanecer em algo e fazer todo o possível: trabalhar, esperar e exercer fé; suportar as dificuldades com coragem, mesmo que os desejos de nosso coração demorem a ser cumpridos. A paciência não é apenas suportar, mas suportar bem. (...) As promessas de Deus nem sempre são cumpridas tão rapidamente ou da maneira que esperamos. Elas podem vir de acordo com o tempo Dele e à maneira Dele. (...) Sei com certeza que as promessas do Senhor são, sem dúvida, cumpridas, embora talvez nem sempre com rapidez. E por fim: (...) Paciência significa perseverar com fé, sabendo que às vezes é na espera e não no recebimento que crescemos mais"

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